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Atentados em Paris? É normal...



Tenho medo! Medo de que, mais cedo ou mais tarde, se banalize o choque até este desaparecer. É a natureza humana... 

Crianças a passar fome, mas o cenário é uma cidade em África? “É normal”

Imagens de chãos com sangue? “É normal, desde que sejam chãos arenosos”

Um terramoto mata centenas, mas são todos japoneses? Normal

Um maluco entra numa escola e mata dezenas de adolescentes a tiro? “Que horror!” Ah, mas foi nos Estados Unidos. “Ah, é normal então...” 

Agora Kalashnikovs em Paris? Alto lá, isto é novidade! Paris é a cidade do amor, não a cidade das Kalashnikovs! “Estou chocado, isto é inaceitável!” 

Todavia... mais dois ou três ataques em Paris e desaparecem os filtros do Facebook. O abalo passa a aceitação e a aceitação a indiferença; e então: “Atentados em Paris? É normal

Quando passa a ser normal, passa-se a aceitar a desgraça alheia como hábito. 

E é quando a morte se torna rotina que as maiores barbaridades acontecem! 

Se não para outra coisa, que estes atentados em Paris sirvam para nos lembrarmos da crueza do homicídio e do valor imensurável da vida. Que sirva para condenar a violência, a intolerância e o radicalismo; independentemente do país, religião ou cenário. 

Que sirva para nos lembrar de que não há "Oriente contra Ocidente", não há "religião contra religião", não há AK-47 contra M-16! Há gente boa contra gente má, em toda a parte e em todas as crenças. 

Que sirva para nunca deixarmos trivializar a atrocidade! Temos de nos indignar todos os dias contra toda a perda vã de vida humana. Uma mãe muçulmana que perde um filho para uma bala no Afeganistão não é mais normal do que uma mãe cristã que chora um filho em Paris.

E que sirva para nos unir a todos sob uma única bandeira, a da paz. E se é isso que agora a bandeira francesa representa, então que seja esta a bandeira que vamos usar; mas vamos usá-la todos.

Somos todos irmãos, um único povo a flutuar sozinho no espaço, preso num minúsculo planeta como peixes num aquário. Quando é que vamos perceber a futilidade do ódio?